Record terá canal próprio de TV 3.0 em São Paulo; emissoras pedem prorrogação dos testes
Nova fase de transmissões experimentais seguirá até 31 de dezembro
As emissoras e entidades que atualmente participam dos testes da TV 3.0, também identificada comercialmente como DTV+, solicitaram ao Ministério das Comunicações a prorrogação das autorizações para o funcionamento de suas estações experimentais. O prazo para realização das operações temporárias termina nesta sexta-feira, 31 de julho.
Os pedidos para uma nova etapa de testes foram apresentados pela Câmara dos Deputados, responsável pela TV Câmara/Rede Legislativa; pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que opera a TV Brasil, Canal Gov, Canal Educação e Canal Saúde; pela TV Globo; e pela TV Record.
Embora algumas das entidades tenham solicitado períodos mais longos, o Ministério das Comunicações estabeleceu, nos despachos, que a nova fase experimental se encerrará em 31 de dezembro de 2026.
Com isso, os testes poderão continuar durante todo o segundo semestre, permitindo que as emissoras avaliem a cobertura, a potência, a estabilidade do sinal, a qualidade de áudio e vídeo, a recepção em diferentes ambientes e os recursos interativos da nova geração da televisão aberta.
Encerrado esse período, as estações deverão interromper as transmissões experimentais, salvo se houver uma nova prorrogação ou a expedição das autorizações necessárias para o início da operação regular. A entrada definitiva de cada emissora na TV 3.0 dependerá de consignação do Ministério das Comunicações e de análise de viabilidade técnica pela Anatel. Caso a emissora vá operar definitivamente na mesma frequência que realiza as transmissões experimentais, como a TV Globo, não haverá interrupção no sinal.
Record deverá ativar estação própria em 289 MHz
A principal novidade desta nova fase da TV 3.0 em São Paulo envolve a TV Record. Até agora, a emissora vem realizando experiências esporádicas, em parceria com o Instituto Presbiteriano Mackenzie, utilizando a estação destinada à Câmara dos Deputados no canal 7 VHF.
Ultimamente, a Record está utilizando essa estrutura desde 13 de julho. A partir de 1º de agosto, entretanto, a Record estará autorizada a colocar no ar sua própria estação do Serviço Especial para Fins Científicos e Experimentais. A transmissão utilizará a frequência central de 289 MHz, dentro da chamada faixa de 300 MHz, destinada à implantação da TV 3.0.
A autorização representa um passo importante para a operação contínua da emissora no novo sistema. A frequência de 289 MHz também poderá ser destinada futuramente à operação regular da Record na TV 3.0, embora essa definição ainda dependa do planejamento de espectro e das decisões regulatórias relacionadas à implantação comercial da tecnologia.
A potência autorizada e a localização da nova estação experimental da Record ainda não foram informadas nos dados disponíveis. Dessa forma, ainda não é possível saber se o sistema será implantado na própria torre da Record, na Avenida Paulista — onde também está instalada a estação utilizada pela Rede Legislativa — ou nas dependências do Instituto Presbiteriano Mackenzie, na Rua da Consolação.
Segundo informações levantadas pelo blog São Paulo Broadcast, o Mackenzie mantém a estrutura de transmissão de seu Laboratório de TV Digital, que participou das pesquisas e dos testes realizados durante o processo de implantação da televisão digital brasileira. O laboratório participou do desenvolvimento do SBTVD entre 2005 e 2007, e o terraço de suas instalações abriga uma sala e uma torre de transmissão.
Com a entrada da estação própria, a Record deixará de depender do canal experimental da Câmara dos Deputados, que poderá voltar a ser utilizado regularmente pela Rede Legislativa durante a nova etapa de testes.
Quatro estações poderão operar até dezembro
Caso todas as autorizações sejam efetivadas conforme os despachos, São Paulo poderá contar, a partir de agosto, com dez canais em operação experimental simultânea na TV 3.0, utilizando quatro frequências diferentes.
Duas dessas frequências estão na faixa de VHF, destinada para os sistemas públicos. As outras duas estarão dentro da faixa destinada à implantação da nova tecnologia, com operações da Globo e da Record.
Panorama das frequências de TV 3.0 em São Paulo
177 MHz — Canal 7 VHF
Situação: uso experimental e temporário
Operador: Câmara dos Deputados — TV Câmara/TV Senado/TV Alesp/TV Câmara SP
Período: de 1º de agosto a 31 de dezembro de 2026
Local: torre da TV Record, na Avenida Paulista
Potência: 1,5 kW
183 MHz — Canal 8 VHF
Situação: uso experimental e temporário
Operador: EBC — TV Brasil/Canal Gov/Canal Saúde/Canal Educação
Período: de 1º de agosto a 31 de dezembro de 2026
Local: torre do SBT, no bairro do Sumaré
Potência: 2 kW
277 MHz — Faixa destinada à TV 3.0
Situação: operação experimental; frequência passível de futura consignação para operação regular
Operador: TV Globo
Período: até 31 de dezembro de 2026
Local: sistema de transmissão da TV Globo, na região da Avenida Paulista
Potência: 21 kW
289 MHz — Faixa destinada à TV 3.0
Situação: operação experimental; frequência passível de futura consignação para operação regular
Operador: TV Record
Período: de 1º de agosto a 31 de dezembro de 2026
Local: não informado — possivelmente na torre da TV Record, na Avenida Paulista, ou na torre do Instituto Mackenzie, na Rua da Consolação
Potência: não informada
Outras frequências planejadas ou solicitadas
Outras frequências chegaram a ser solicitadas para testes ou foram incluídas no planejamento da TV 3.0 em São Paulo, mas não estão, até o momento, na nova fase de operações experimentais.
A Fundação Padre Anchieta solicitou, em janeiro, o canal 9 VHF, em 189 MHz, para realizar testes da TV Cultura. O prazo concedido, entretanto, terminou em 31 de março sem que a estação entrasse em operação. Não houve pedido de renovação.
A frequência central de 253 MHz está prevista para a futura estação regular da EBC em São Paulo.
A CNT também solicitou uma frequência para operar uma estação experimental de TV 3.0, que vai operar na frequência central de 271 MHz. O prazo também terminou sem o início das transmissões e, até o momento, não houve renovação do pedido.
A definição das frequências que permanecerão em uso após o fim das operações experimentais dependerá do planejamento definitivo do espectro, da apresentação de novos requerimentos e das próximas etapas de implantação da TV 3.0 no país.
Faixa de 300 MHz comporta 12 canais
A Anatel destinou a faixa contínua de 250 MHz a 322 MHz aos serviços de TV 3.0, permitindo a formação de 12 canais com largura de 6 MHz. Essa porção do espectro vem sendo chamada pelo setor de faixa de 300 MHz.
Em São Paulo, assim como nos estados de Goiás e Mato Grosso, a inclusão de novos canais deverá ocorrer prioritariamente acima de 268 MHz. Esse segmento comporta nove frequências centrais: 271, 277, 283, 289, 295, 301, 307, 313 e 319 MHz.
Separadamente, a faixa de VHF alto, entre 174 MHz e 216 MHz, deverá ser utilizada preferencialmente pelas entidades consignatárias da União, como a EBC e a Câmara dos Deputados. Já a faixa entre 216 MHz e 372 MHz, ou partes dela, será utilizada preferencialmente pelas emissoras comerciais.
Isso não significa que todas essas frequências já tenham sido distribuídas às emissoras paulistanas. A consignação dos canais será realizada gradualmente, mediante solicitação dos interessados e análise individual de viabilidade técnica pela Anatel.
Na Grande São Paulo, parte da faixa de VHF já está ocupada ou possui canais planejados para o sistema atual de televisão digital. Segundo levantamento do São Paulo Broadcast, o canal 10 VHF está em operação no sisterma de TV digital atual; o canal 12 possui concessão em vigência, embora esteja há meses fora do ar; e o canal 13, deverá entrar em operação em breve, também no sistema atual, chamado de TV 2.5.
Vale observar que a própria EBC já solicitou para sua futura operação regular em São Paulo a frequência central de 253 MHz, localizada na faixa de 300 MHz, e não um canal de VHF. A escolha não contraria as diretrizes do governo, uma vez que a utilização do VHF pelas entidades públicas é preferencial, e não obrigatória.
Além disso, a definição de cada canal depende da disponibilidade do espectro e dos estudos de viabilidade técnica realizados para cada localidade.

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