Panorama da TV 3.0 em São Paulo - Edição de 22/07/2026

Oferta de canais diminui; Record testa sinal; e middleware ganha atualização

O telespectador da Grande São Paulo que acompanha a transição para a TV 3.0 (DTV+) percebeu uma redução significativa na oferta de canais nos últimos dias. Se antes o cenário contava com a transmissão comercial da TV Globo em 4K HDR e com dois multiplexes públicos (Rede Legislativa e EBC) com oito canais em HD e SD, o momento atual é de ajustes e testes temporários.

Muxes fora do ar e testes da Record

  • Rede EBC: O multiplex da Empresa Brasil de Comunicação está fora do ar há alguns dias, sem comunicado oficial. A transmissão experimental vinha ocorrendo no canal 8 VHF (183 MHz, com potência de 2 kW por polarização), emitida a partir da torre do SBT no Sumaré. O mux reuniu TV Brasil, Canal Gov, Canal Educação e Canal Saúde. Não há previsão de retorno.
  • Rede Legislativa e Record: O multiplex da Rede Legislativa vem sendo utilizado temporariamente para testes da TV Record durante parte da manhã e o início da tarde. Nesses períodos, o sinal exibe a programação linear da emissora em Full HD (1080p) — ainda sem testes em 4K —, mas com potência bastante fraca. Os testes são realizados junto a engenheiros do Instituto Mackenzie. Nos demais horários, os canais legislativos TV Câmara SP TV Alesp retornam ao ar, porém com alcance restrito aos arredores da Avenida Paulista. A TV Câmara federal e a TV Senado estão atualmente sem transmissão.
  • Prazo dos testes: A autorização de testes da Record na DTV+ paulistana segue até 31 de julho. A Rede Legislativa retomará sua transmissão integral a partir de 1º de agosto, direto do transmissor na torre da Record (Av. Paulista).
  • TV Globo: Segue operando de forma definitiva na faixa de 300 MHz (frequência central de 277 MHz) com potência de 21 kW por polarização. Emitido a partir da Alameda Santos, o sinal entrega alguns conteúdos em 4K HDR e já com alguns recursos interativos.

Barra de informações da plataforma DTV+, transmitida pela
Record durante testes realizados no canal 7. 
Crédito: Francisco Dantas.

Transmissão experimental da Record no sistema DTV+. Crédito: Francisco Dantas.

Atualização do middleware traz dados técnicos e EPG

Nesta terça-feira (21/07), os receptores DTV+ começaram a receber uma atualização do middleware (sistema), que foi desenvolvido pela Mirakulo. A novidade traz melhorias visíveis na experiência do usuário:

  • Informações técnicas: A barra de status agora exibe a frequência central utilizada pela emissora e a relação sinal-ruído (SNR, expressa em dB). Trata-se de um recurso importante para usuários avançados do sistema DTV+.
  • Guia de Programação (EPG): O Electronic Program Guide foi ativado para canais DTV+ e já pode ser visto na transmissão da TV Globo, permitindo navegar pela grade diretamente pela interface.
  • Áudio na TV 2.5: Nos canais de TV digital 2.5, foi liberada a possibilidade de selecionar e alternar entre diferentes faixas de áudio.

Nova barra de informações com detalhes técnicos da recepção
dos canais nos conversores DTV+. 
Crédito: Francisco Dantas.

TV Digital 2.5: Instabilidade e falhas de sintonia

Embora os conversores de TV 3.0 tenham sido projetados para também integrar os canais da TV digital 2.5 na mesma interface, o sistema ainda enfrenta problemas de compatibilidade entre o sinal de algumas emissoras e os equipamentos das marcas Aquário e Vivensis.

  • Sem memorização: A RBI, Record News e Canção Nova seguem com problemas de incompatibilidade com os sistemas da Aquário e Vivensis. Os canais sequer são memorizados na plataforma DTV+.
  • Sem transmissão: Rede Mais Família, Boas Novas e RTN memorizam na plataforma, mas não apresentam imagem nem som.
  • Correção de bug: Uma falha no aplicativo da Rede Mais Família foi corrigida nesta terça-feira (21), eliminando um ícone da Jovem Pan News que estava sendo exibido indevidamente.

Falta de logomarcas quebra o padrão visual

Outro ponto fraco da fase inicial da DTV+ em São Paulo é a ausência de identidade visual para algumas emissoras. Como a plataforma funciona com o conceito de aplicativos, a falta de logomarcas compromete a usabilidade.

  • Logomarcas: Canais como NGT, Mais TV, TopTV, Boa Vontade TV e TV Feliz continuam sendo exibidos apenas com uma logomarca padrão do sistema na interface dos receptores.
  • Atualização: Uma única atualização foi registrada nesta terça-feira (21), com a atualização da marca da CBI (Canal Brasileiro da Informação), que antes apresentavam uma imagem genérica.

Embora ainda não haja informações sobre a responsabilidade da atualização das logomarcas, sabe-se que o procedimento não é realizado pelas próprias emissoras.


Exemplo da ausência de logomarcas próprias de algumas emissoras.

Por Maurício Viel, jornalista, escritor e historiador do rádio e da TV. 

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