No dia da estreia da TV 3.0, São Paulo tem nove canais no ar

Capital paulista reúne canais HD da Rede Legislativa e da TV Brasil; mas TV Globo é a única a transmitir em UHD 4K

Matéria em Atualização

São Paulo chega ao dia da estreia da TV 3.0 no Brasil com nove canais transmitindo na plataforma DTV+, a nova geração da televisão digital aberta. A operação inicial na capital paulista reúne canais públicos, legislativos e a TV Globo.

A contagem considera os canais de programação disponíveis dentro dos três sinais DTV+ ativados na cidade: quatro canais da Rede Legislativa em HD, mais quatro canais do governo federal (EBC) e a TV Globo UHD 4K.

Dentre as três estações digitais 3.0 que operam na cidade, apenas a da TV Globo não é provisória. As demais ainda vão ser montadas com equipamentos mais potentes.

Os sinais DTV+ estão disponíveis ao telespectador que já possui receptor compatível com o novo padrão.

A Rede Legislativa está no ar pelo canal VHF 7, na frequência central de 177 MHz. O sinal carrega as versões em HD da TV Câmara SP, TV Alesp, TV Câmara e TV Senado. A transmissão é feita a partir de uma estação experimental instalada na torre da TV Record, na Avenida Paulista, estrutura que integra o projeto conduzido pela EAD, entidade responsável pela digitalização da TV aberta. A potência de transmissão é de 2 kW na polarização vertical e mais 2 kW na horizontal.

A partir da torre do SBT, no bairro do Sumaré, opera outra estação experimental, administrada pela EAD. Ela opera no canal VHF 8, em 183 MHz, também com potência de 2 kW para cada polarização. Esta estação está cedida à estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e os canais transmitidos são TV Brasil HD, Canal GOV, Canal Educação e Canal Saúde.

A terceira operação em funcionamento é própria da TV Globo, que transmite os jogos da Copa do Mundo em resolução UHD 4K, na frequência de 277 MHz. Diferentemente dos canais VHF 7 e 8, usados pela Rede Legislativa e pela EBC, o canal da Globo está dentro da subfaixa preferencial de 216 a 372 MHz, destinada à implantação da TV 3.0. Essa porção do espectro vem sendo chamada no setor de “faixa de 300 MHz” e ocupa uma região de transição entre o VHF alto e o início do UHF. As demais emissoras comerciais futuramente também irão  transmitir usando a faixa de 300 MHz.

O sinal da Globo é gerado a partir de torre da própria, na região da Avenida Paulista. A operação em 4K coloca a emissora como o principal destaque técnico desta largada da TV 3.0, especialmente por explorar um dos recursos mais visíveis da nova geração da TV aberta: a melhoria na qualidade de imagem.

Os demais programas da TV Globo estão sendo exibidos com upscaling para 4K. O resultado é visualmente satisfatório, mas não equivale a uma produção captada originalmente em 4K, já que o processo amplia e trata o sinal HD sem criar detalhes reais inexistentes na fonte original.

TV 2.5 na interface da TV 3.0

Ao acessar o ambiente DTV+ da TV 3.0, o usuário poderá visualizar cerca de 30 ícones de diferentes emissoras na tela inicial do receptor. A presença dessas emissoras no sistema, no entanto, não indica necessariamente que elas estejam transmitindo no novo padrão. Boa parte desses canais está apenas integrada à navegação do aparelho, sendo captada pelo sinal da atual TV digital, também chamada de TV 2.5, que corresponde ao sinal aberto em HD disponível no país há mais de uma década.

Para diferenciar os canais da TV digital 2.5 dos sinais efetivamente transmitidos em TV 3.0, a plataforma DTV+ exibe uma indicação específica nos ícones das emissoras que utilizam o novo padrão. Dessa forma, o usuário consegue identificar quais canais estão no ar em DTV+ e quais apenas aparecem integrados à interface do receptor, mas seguem sendo recebidos pelo sinal tradicional da TV digital 2.5.

Vale destacar que está disponível na plataforma um aplicativo do Governo Federal chamado "Mais BR", que traz algumas funcionalidades com a conta "gov" do usuário. Para acessá-lo é necessário estar conectado à internet.

Implantação

A estreia da TV 3.0 ocorre em uma fase ainda inicial de implantação. Neste primeiro momento, o acesso depende de receptores externos compatíveis com o padrão DTV+, já que os televisores vendidos no mercado ainda não trazem o novo sistema integrado. A migração será gradual, com período de convivência entre a atual TV digital e a nova tecnologia.

Nos próximos meses, alguns televisores deverão ser lançados com compatibilidade para recepção da DTV+ embutida, eliminando a necessidade do set-top box para quem for adquirir esses novos televisores.

Além da imagem em HD ou UHD 4K, a TV 3.0 foi desenvolvida para permitir maior integração entre radiodifusão e internet. A proposta é que os canais apareçam como aplicativos na tela dos aparelhos, abrindo espaço para recursos interativos, conteúdo complementar, personalização e novos serviços digitais.

Em São Paulo, a largada mostra que a nova tecnologia não começa apenas com uma emissora. A capital paulista já reúne, no primeiro dia, uma composição variada de sinais da DTV+: canais legislativos e uma emissora pública federal, em definição HD, e uma grande rede comercial com transmissão em UHD 4K.

Com isso, São Paulo inicia a fase brasileira da TV 3.0 com seis canais de programação disponíveis no novo padrão e passa a ser uma das principais vitrines técnicas da transição para a próxima geração da TV aberta.

Demonstração pública

A chegada da DTV+ ao Brasil está sendo acompanhada por uma ação de demonstração ao público durante a Copa do Mundo. Nesta primeira fase, estão previstos cerca de 3 mil receptores compatíveis com a TV 3.0, que estão sendo distribuídos gratuitamente em cidades onde o novo sinal estiver disponível. A iniciativa envolve o Ministério das Comunicações e entidades do setor, com o objetivo de permitir que grupos selecionados testem a nova tecnologia em caráter inicial, antes da chegada em larga escala dos conversores ao mercado.

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