Manifestação e abaixo-assinado tentam pressionar pela permanência da Rádio Eldorado
Mobilização convocada por ouvintes e artistas ocorre neste domingo (3), às 11h, no vão do MASP
Uma mobilização em defesa da Rádio Eldorado está marcada para este domingo (3), às 11h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista. Convocado por ouvintes e articulado por artistas e entusiastas da emissora, o ato pretende reunir público para protestar contra a decisão do Grupo Estado de encerrar a operação da rádio a partir de 15 de maio, em decorrência do fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 MHz.
A expectativa era de que a rádio ao menos pudesse seguir operando no ambiente digital, no entanto, após tentativas frustadas de arrendamento de outra frequência no dial, o Grupo Estado optou por descontinuar a emissora, mantendo na internet somente dois de seus programas.
A manifestação ganhou força rapidamente nas redes sociais, impulsionada por um abaixo-assinado e numerosas mensagens de apoio de ouvintes e aos funcionários da Eldorado, que ficarão desempregados. Organizadora do ato, a multiartista Nina Vogel afirmou que a iniciativa surgiu de forma espontânea, diante da repercussão do anúncio do fim da emissora, feito no dia 23 de abril. O evento, segundo os organizadores, pretende “sintonizar” simbolicamente os chamados “melhores ouvintes” da Eldorado — expressão tradicionalmente associada à identidade da rádio. São esperadas as presenças dos locutores e demais funcionários da emissora.
Relatos nas redes indicam adesão significativa do ato, inclusive de pessoas que afirmam já ter alterado compromissos pessoais para poder comparecer. Há também manifestações de apoio de ouvintes fora da capital paulista, que relatam acompanhar a emissora há décadas e se dizem impactados com a possibilidade de seu encerramento.
Até a manhã de quarta-feira (28), o abaixo-assinado hospedado na plataforma Change.org já somava mais de 6,5 mil assinaturas.
Compromisso
O manifesto apela ao Grupo Estado para que reavalie a decisão, abra diálogo com o mercado e com o público e busque alternativas que preservem tanto a emissora quanto os empregos e a memória que ela representa.
A proposta dialoga com o próprio posicionamento da empresa, que, em nota, reconhece mudanças estruturais no consumo de áudio — com avanço do streaming e transformação do uso dos meios lineares — e aponta que a decisão faz parte de um reposicionamento estratégico com foco no ambiente digital.
A mobilização em torno da Eldorado evidencia o valor simbólico e cultural da emissora no dial paulistano, ao mesmo tempo em que expõe o desafio das rádios tradicionais diante das transformações no consumo de conteúdo e das limitações estruturais do modelo FM convencional. Por outro lado, outros grupos de mídia vêm investindo alto no meio rádio, como é o caso da Revista Forbes e do Grupo GC2, que recentemente inauguraram os projetos das rádios Forbes e TMC em São Paulo.
Repercussão nas redes: entre comoção e mobilização
O anúncio do encerramento da Eldorado, no ar há 68 anos, gerou forte reação nas redes sociais, com predominância de manifestações negativas e tom emocional elevado. Levantamento baseado em comentários recentes aponta que a maior parte das interações expressa tristeza, indignação e senso de perda cultural.
Entre os principais argumentos dos ouvintes, destaca-se a percepção da Eldorado como patrimônio simbólico. Muitos associam a emissora à formação de repertório musical e à descoberta de artistas, destacando sua curadoria como diferencial no rádio brasileiro.
Há também relatos de vínculo afetivo de longa duração, com ouvintes que acompanham a programação há décadas e descrevem a rádio como parte de sua rotina diária. Expressões como “trilha sonora da vida” e “melhor curadoria musical do Brasil” aparecem de forma recorrente.
Saída do dial e reconfiguração do espectro
O encerramento da Rádio Eldorado ocorre em meio a uma relevante reconfiguração do dial paulistano. A saída da emissora da frequência 107,3 MHz está diretamente associada a um acordo envolvendo o Grupo Bandeirantes e a Fundação Brasil 2000, detentora da outorga educativa do canal.
A medida prevê que a emissora própria da Rádio Bandeirantes — migrante do AM 840 KHz e atualmente operando em 86,3 MHz, na faixa estendida do FM — seja transferida para os 107,3 MHz da faixa convencional do FM, ampliando o alcance do público e encerrando o oneroso contrato de arrendamento da frequência FM 90,9 MHz.
Em razão do acordo com o Grupo Bandeirantes, a Fundação Brasil 2000 encerrou a parceria com a Rádio Eldorado. Sem frequência própria no FM paulistano — já que vendeu o FM 92,9 na década passada — a emissora passa a depender de novos acordos para permanecer no dial. No entanto, os valores praticados atualmente no mercado são considerados elevados e inviáveis para o Grupo Estado, controlador da Rádio Eldorado.
A troca das frequências entre a Rádio Bandeirantes e a Fundação Brasil 2000 está prevista para o dia 15 de maio.

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