Rádio Eldorado vai encerrar suas atividades
Grupo Estado confirma fim da emissora após saída do dial FM
Uma das emissoras mais tradicionais do rádio paulistano vai sair de cena na virada do dia 15 de maio. Por determinação do Grupo Estado, controlador da marca, a Rádio Eldorado terá suas atividades encerradas, com a consequente demissão da maior parte de sua equipe.
A informação foi revelada em reportagem da Folha de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira, 23 de abril. Na sequência, o próprio jornal O Estado de S. Paulo divulgou uma nota oficial confirmando a decisão.
A Eldorado deixará o dial FM de São Paulo em razão do encerramento da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 MHz. Conforme antecipado pelo São Paulo Broadcast, o Grupo Bandeirantes assumiu recentemente o controle da frequência, movimento que inviabilizou a permanência da Eldorado no canal.
Para seguir no FM, seria necessário firmar um contrato de arrendamento com alguma emissora comercial — cenário considerado inviável em uma reunião realizada entre os diretores do Grupo Estado na última sexta-feira (17), segundo informou o portal Tudo Rádio.
A diretoria do grupo jornalístico considerou a oferta muito alta e decidiu encerrar a operação da tradicional marca do dial paulistano.
A Rádio Bandeirantes vai ocupar os 107,3 MHz um dia depois do desligamento da Rádio Eldorado na frequência. Ainda sem divulgação oficial, o mercado prevê que as operações da Rádio Bandeirantes nos atuais 90,9 MHz sejam encerradas em breve e mantidas em 86,3 MHz, na faixa estendida.
Apesar do encerramento da operação no rádio, a marca Eldorado não será descontinuada e deverá ser reposicionada em outras frentes. Segundo o grupo, a emissora seguirá ativa por meio de projetos especiais e eventos, mantendo seu caráter de referência cultural. Parte de sua programação tradicional será reformulada, com iniciativas como "Som a Pino" e "Clube do Livro" sendo adaptadas para novos formatos, com foco em vídeo e distribuição digital. A estratégia, segundo nota do "Grupo Estado", também busca oferecer ao mercado publicitário produtos mais segmentados e mensuráveis, alinhados às transformações recentes no consumo de conteúdo.
O encerramento da Eldorado marca o fim de um capítulo relevante da radiodifusão paulistana. Fundada em janeiro de 1958 pelo jornal O Estado de S. Paulo, a emissora foi a primeira FM da capital e construiu, ao longo das décadas, uma identidade baseada em programação adulto-contemporânea sofisticada, com curadoria musical refinada e presença consistente de conteúdo informativo (veja abaixo a história da emissora).
O Grupo Estado, que historicamente construiu sua relevância a partir da diversificação — incluindo jornal, rádio, agência de notícias e outras verticais — vem, há anos, encolhendo sua presença em diferentes plataformas. O fechamento do Jornal da Tarde e a venda de frequências próprias de rádio e TV (FM 92,9 MHz, AM 700 KHz e canal 36.1, em São Paulo) são movimentos que antecedem o desmonte atual da operação da Rádio Eldorado. Nesse contexto, o seu fim não surge como ruptura, mas como continuidade de um processo de retração.
Sem frequência própria no FM paulistano, a Eldorado firmou, em março de 2011, uma parceria de baixo custo com a Fundação Brasil 2000, na frequência 107,3 MHz, emissora de caráter educativo — portanto, sujeita a restrições comerciais.
O blog São Paulo Broadcast segue acompanhando os desdobramentos do caso.
História
Nos anos 1950, o Grupo Estado obteve uma concessão de rádio AM e outra para a ainda inexplorada faixa de FM. Até então, a FM era usada como link entre os estúdios das emissoras AM e seus transmissores, que geralmente ficavam há alguns quilômetros dos estúdios, nas periferias das cidades. Entretanto, no caso da concessão de FM do Grupo Estado, frequência de 92,9 MHz, ela tinha autorização para gerar conteúdo exclusivo, em sistema broadcast, ou seja, se tratava de uma emissora aberta, comercial.
As inaugurações da Rádio Eldorado AM 700 KHz e da FM 92,9 MHz ocorreram em 4 de janeiro de 1958, instaladas no edifício-sede do jornal O Estado de São Paulo, na Rua Major Quedinho, nº 28, Centro de São Paulo.
Divulgação
A AM 700 iniciou com programação de elevado padrão jornalístico, cultural e artístico e a FM 92,9 investiu em programação musical exclusiva, de alta fidelidade. Como não havia rádios-receptores para FM no Brasil, a Eldorado lançou um modelo comercial direcionado a empresas, fornecendo receptores importados e caixas acústicas em sistema de comodato, mediante a um pagamento mensal.
Ou seja, a Eldorado FM nasceu como uma rádio por assinatura, em pleno ano de 1958, modelo também operado, na mesma época, pela Rádio Imprensa FM 102,5 MHz de São Paulo.
Para operar este serviço, o Grupo Estado criou a PróMúsica - Emissoras de Programas Musicais Selecionados Ltda., com a premissa de irradiar músicas orquestradas — cientificamente selecionadas e com alta fidelidade de som (mesmo que ainda monofônico) — a empresas, restaurantes, comércio etc., proporcionando aumento de produtividade ou estímulo ao consumo.
A programação diária era intitulada “Sistema Funcional de Música Ambiente”, sem interrupções comerciais. Era um luxo para a época e a Eldorado entrou para a história como a primeira estação em Frequência Modulada a operar comercialmente em São Paulo.
Em meados de 1968, a PróMúsica encerrou as atividades e a FM 92,9 passou a retransmitir, para todo o público, os programas da Eldorado AM, com música orquestrada e boletins informativos. Em 1º de maio de 1973, a Eldorado FM ampliou seu alcance ao inaugurar um potente transmissor de 50 kW na Avenida Paulista. Além disso, passou a retransmitir a programação de música clássica e popular da Eldorado AM em som estereofônico, uma grande novidade para a época.
A programação da Eldorado FM voltou a ser exclusiva em 1º de outubro de 1975, quando passou a operar comercialmente e de forma independente da AM 700. Na programação musical, MPB, música erudita e música ambiente. Diariamente, às 21h, entrava no ar um programa especial, onde as músicas eram transmitidas em som quadrifônico, nas quais o som era dividido não em dois, mas em quatro canais diferentes.
Nas décadas seguintes, as operações da Rádio Eldorado seguiram com o padrão de notícias e esportes no AM 700 e música no FM 92,9.
Eldorado ESPN
O Grupo Estado celebrou uma parceria de conteúdo com a ESPN, canal esportivo da TV paga. Surgia assim, em março de 2011, a Rádio Eldorado ESPN, operando simultaneamente em AM 700 e, fato importante, levando sua programação também para a faixa de FM, em 92,9 MHz.
Para manter a Eldorado FM no ar, o Grupo Estado promoveu outra parceria em março de 2011, desta vez com a Fundação Brasil 2000, passando a usar sua estação de 107,3 MHz. No início desta fase, a Eldorado FM foi chamada de Rádio Eldorado Brasil 3000.
O projeto Eldorado ESPN durou pouco e ficou no ar até 31 de dezembro de 2012. A partir do dia seguinte, a emissora passou a operar como Rádio Estadão em AM e FM, basicamente transmitindo jornalismo.
Dando sequência ao projeto de se desfazer de suas emissoras de rádio, o Grupo Estado arrendou os 700 KHz da antiga Rádio Eldorado AM para a Nossa Rádio, emissora da Igreja Internacional da Graça de Deus. A mudança aconteceu em maio de 2015 e, posteriormente, a igreja comprou a emissora.
Em 2017, o Grupo Estado decidiu encerrar as operações da Rádio Estadão, que vinha operando em FM 92,9, alegando querer atuar principalmente em jornal, portal web, redes sociais e e-commerce. Com isso, no dia 18 de março daquele ano, a programação da FM 92,9 foi arrendada para a Comunidade Cristã Paz e Vida (Feliz FM), marcando o fim da Rádio Estadão.
Por fim, em 2019, a FM 92,9 foi vendida ao empresário e apresentador do SBT Carlos Massa, o Ratinho, que planejava colocar a sua Massa FM no mercado de São Paulo.
Parte da produção de conteúdo passou a ser incorporada à Rádio Eldorado FM 107,3 MHz, que manteve programação baseada em música e informação até os dias atuais.
Mas, agora, com o encerramento da operação em 107,3 MHz, a Eldorado tem o desafio de se manter de forma exclusiva no ambiente digital.
Por Maurício Viel. Jornalista, escritor e historiador do rádio e da TV.



Tirando aquele jornal que tem aquele reaça do Nêumanne,a Eldorado tem
ResponderExcluiruma programação muito boa.Não era justo ir pro FM estendido-a maioria
da população não tem aparelhos que sintonizem as novas frequências.
Nos anos 80,a Globo tinha 3 rádios em SP e 5 rádios no RJ.
ExcluirHoje,ela tem 1 emissora em SP e 2 emissoras no RJ.
Aí,vem o Brocanelli chamar a Forbes Radio de Pobres Radio......meu Deus!!!!!
ResponderExcluirUma nova rádio entra no ar,investe grana pra fazer uma emissora de qualidade
pra receber esta resposta dele.....então,deveria chamar o Estadão de Estragão
porque o jornal vai fechar a Eldorado.
Não foi ele que disse. Isso foi uma sátira feita pelo humorista Marcos Aguena.
ExcluirO Estadão deveria sair do ar,em vez da Eldorado FM,mesmo.
ResponderExcluirEu ouvia muito a Radio Estadão. De madrugada, havia um programa apresentado pelo Geraldo Nunes e Roberto Notari, lá pelo ano de 2014.
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