TV 3.0 avança em São Paulo: CNT prevê sinal em setembro e Record prepara operação regular para dezembro
SET Expo 2026 trouxe novidades sobre a implantação da DTV+; TV Globo fez demonstração especial de áudio MPEG-H
A implantação da TV 3.0 (DTV+) em São Paulo deve ganhar força nos próximos meses. Durante a SET Expo 2026, realizada nesta semana no Distrito Anhembi, foram reveladas algumas informações extraoficiais de emissoras que pretendem aderir à nova geração da televisão aberta brasileira. A implantação da TV 3.0 (DTV+) em São Paulo, que atualmente combina operações experimentais e as primeiras transmissões em caráter regular, deve ganhar força nos próximos meses.
Uma das novidades envolve a CNT, que, segundo informou seu vice-presidente, Rodrigo Martinez, o sinal de TV 3.0 deverá entrar no ar, na capital paulista, durante o mês de setembro.
Segundo informação de Luiz Cláudio Costa, presidente da Record, fornecida durante a SET Expo, a emissora está realizando os preparativos para iniciar a operação comercial da TV 3.0 (DTV+) no mês de dezembro de 2026, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Nesse caso, não se trata da operação experimental que a emissora está prestes a dar continuidade, junto a Universidade Presbiteriana Mackenzie/Laboratório de TV Digital.
Os anúncios mostram que o segundo semestre deverá marcar uma nova etapa da DTV+ em São Paulo, com a ampliação gradual da quantidade de emissoras utilizando o novo sistema.
que será utilizado para transmitir seu sinal em São Paulo.
Globo faz transmissão especial para público da SET Expo
Durante os dias em que aconteceu a SET Expo, a TV Globo fez transmissões especiais no período da tarde, utilizando sua estação DTV+. A proposta era promover uma demonstração especialmente preparada para o público da SET Expo.
No sinal de TV 3.0, a emissora exibiu conteúdos diferentes daqueles apresentados pela programação convencional. Entre as imagens transmitidas estavam desfiles do Carnaval 2026 e partidas da Copa do Mundo de 2026.
A demonstração em DTV+ teve como um de seus principais objetivos apresentar os recursos oferecidos pelo MPEG-H Audio, tecnologia de áudio adotada pelo padrão brasileiro de TV 3.0.
O MPEG-H permite que a experiência sonora deixe de ser totalmente fixa para o telespectador. Entre suas possibilidades estão áudio imersivo, diferentes combinações de elementos sonoros e personalização da reprodução, dependendo do conteúdo produzido pela emissora e dos recursos oferecidos pelo receptor.
A tecnologia foi um dos assuntos de destaque da SET Expo deste ano. A programação do congresso incluiu painéis específicos sobre áudio imersivo e personalizado e sobre os codecs escolhidos para a nova televisão brasileira.
Antenas e recepção também são colocadas à prova
Além dos anúncios das emissoras, a recepção da TV 3.0 foi um dos temas centrais das discussões técnicas realizadas durante a SET Expo.
Pesquisadores e profissionais envolvidos no desenvolvimento do sistema apresentaram experiências com antenas de transmissão e recepção, MIMO e medições de campo, buscando estabelecer as melhores configurações para que o novo sinal possa chegar com estabilidade às residências.
Diferentemente do atual padrão de TV digital, a DTV+ utiliza recursos de MIMO, com o emprego de duas polarizações, uma das características que influenciam tanto os sistemas irradiantes das emissoras quanto o desenvolvimento das futuras antenas receptoras.
Testes realizados em São Paulo também vêm sendo utilizados para avaliar diferentes configurações de transmissão e o comportamento do sinal em situações reais de recepção urbana.
A utilização de antenas internas é outro ponto considerado importante para a popularização da nova tecnologia, principalmente diante da intenção de facilitar a recepção do sinal aberto nos televisores sem instalações externas mais complexas.
TV 3.0 também mira os celulares
Outra frente discutida durante a SET Expo foi a possibilidade de levar a TV aberta diretamente aos smartphones.
Um dos painéis do congresso foi dedicado exclusivamente ao assunto e discutiu como a DTV+ poderá permitir recepção gratuita em dispositivos móveis, além dos desafios técnicos e industriais para que o recurso chegue aos aparelhos comercializados no Brasil.
A recepção móvel faz parte das possibilidades previstas para a nova geração da televisão, mas sua chegada efetiva aos celulares ainda dependerá do desenvolvimento de componentes compatíveis e da adesão dos fabricantes de smartphones.
Portanto, apesar dos avanços, ainda não há uma data definida para que celulares compatíveis com a TV 3.0 cheguem ao mercado brasileiro.
Fase experimental da TV 3.0
As novidades apresentadas durante a SET Expo mostram uma mudança gradual no estágio de implantação da DTV+. A previsão para o término da fase experimental em São Paulo é o início de 2027.
Até agora, grande parte da movimentação em São Paulo esteve concentrada na instalação de estações experimentais, medições de cobertura, avaliação de antenas e demonstrações de recursos como 4K, áudio imersivo, personalização e interatividade.
A previsão da CNT para setembro e, principalmente, o anúncio de uma operação regular da Record em dezembro apontam para o início de uma nova fase.
Ao mesmo tempo, os testes continuam importantes para definir parâmetros técnicos, equipamentos e condições de recepção antes que a TV 3.0 possa alcançar o público em maior escala.
A tendência, portanto, é que os próximos meses tragam novos sinais e experiências em DTV+ na Grande São Paulo, enquanto emissoras, fabricantes e órgãos reguladores avançam na preparação para a implantação comercial da nova geração da televisão aberta brasileira.
SET Expo mostra televisor Hisense com TV 3.0 integrada
Outro destaque da feira foi um protótipo de televisor da Hisense preparado para receber a DTV+ diretamente no aparelho, antecipando como deverão funcionar as futuras TVs compatíveis com a nova geração da televisão aberta.
O equipamento demonstrado na SET Expo utiliza a plataforma AstroTV NEXT, da Mirakulo, e apresenta os canais de televisão em uma interface baseada em aplicativos, semelhante à utilizada nos atuais set-top boxes DTV+ atualmente em comercialização. Na demonstração, a tela identificava 32 aplicações, entre elas as de emissoras como TV Brasil e TV Globo.
A solução integra ao televisor os recursos necessários para a experiência da TV 3.0, reunindo recepção do sinal aberto, conectividade com a internet e aplicações interativas. A Hisense já participa do desenvolvimento da DTV+ em parceria com empresas como Globo, Mirakulo e Fraunhofer e possui equipamentos de testes compatíveis com tecnologias como MIMO, 4K, HDR, LCEVC e áudio MPEG-H.
O aparelho exibido na feira, entretanto, ainda deve ser tratado como protótipo ou equipamento de demonstração. Até o momento, não foi anunciado um modelo comercial da Hisense com DTV+ integrada para venda no mercado brasileiro.
TV 3.0 avança na regulamentação com novas frequências e regras para receptores
A TV 3.0 também avançou na área regulatória. Durante a SET Expo 2026, a Anatel destacou a destinação da faixa entre 250 e 322 MHz para a nova geração da televisão aberta, com 12 canais de 6 MHz. Em São Paulo, a implantação deverá priorizar frequências acima de 268 MHz.
Outro ponto em discussão envolve os receptores DTV+. A Anatel prepara regras de certificação com requisitos de segurança, atualização de software, criptografia, autenticação e proteção de dados. A medida é considerada necessária porque os novos televisores e conversores passarão a combinar recepção pelo ar com conexão à internet e aplicativos interativos.
Também foram apresentados avanços nos testes de recepção móvel, realizados em cidades como São Paulo e Curitiba. A tecnologia abre caminho para que, futuramente, a TV 3.0 possa ser recebida diretamente em dispositivos portáteis e smartphones compatíveis.
Transmissão aberta e streaming passam a compartilhar a mesma plataforma
Outra novidade apresentada na SET Expo foi a integração dos fluxos de transmissão pelo ar e streaming pela internet em uma mesma plataforma. A proposta da TV 3.0 é evitar que as emissoras precisem tratar essas duas formas de distribuição como operações independentes, permitindo que conteúdos e recursos sejam gerenciados de maneira integrada.
Na prática, o telespectador poderá receber conteúdos tanto pelo sinal aberto quanto pela internet, enquanto a emissora administra as duas entregas dentro de uma mesma arquitetura. Segundo especialistas que participaram do painel “Core DTV+ – Uma Visão Sistêmica”, a expectativa é que essa estrutura esteja em operação definitiva a partir de 2027.
Por Maurício Viel, jornalista e historiador do rádio e da TV.

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