Panorama da TV 3.0 em São Paulo - Edição de 05/07/2026

Sinais da TV Câmara e TV Senado foram ativados nesta sexta-feira após correção de problemas técnicos

São Paulo reúne atualmente três operações de TV 3.0 (DTV+), incluindo a transmissão comercial da TV Globo em 4K HDR e dois multiplex públicos de canais com definições HD e SD — Rede Legislativa EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

Aspecto geral da plataforma DTV+ em São Paulo.

Enquanto fabricantes de conversores e emissoras trabalham na correção de falhas identificadas nesta fase inicial de implantação, outras redes de televisão se preparam para iniciar seus testes na nova geração de TV.

A Rede Legislativa transmite em caráter experimental pelo canal 7 VHF, na frequência central de 177 MHz. A potência é de 1,5 kW por polarização (horizontal e vertical), com transmissor operando junto à torre da TV Record, na Avenida Paulista. Este multiplex (mux) foi programado para distribuir temporariamente os sinais da TV Câmara SP, TV Alesp, TV Câmara e TV Senado.

Até então, apenas a TV Alesp e a TV Câmara SP estavam efetivamente no ar neste mux, ambas em resolução HD (1080p). Os canais destinados à TV Câmara e à TV Senado foram ativados somente nesta sexta-feira (03/07), após apontamentos feitos pelo São Paulo Broadcast terem sido resolvidos pela equipe técnica da TV Câmara.

Com a entrada dos dois canais no sistema DTV+, foi possível constatar que menus de recursos de interatividade estão habilitados em ambas as emissoras. No entanto, as funcionalidades ainda não estão operacionais.

Aspecto do menu interativo da TV Brasil,
porém ainda não-operacional.

A EBC transmite seus sinais pelo canal 8 VHF, também de forma temporária e experimental, com 2 kW de potência em cada polarização, na frequência central de 183 MHz. O sinal é transmitido da torre do SBT, no bairro do Sumaré. O mux reúne a TV Brasil, Canal GOV, Canal Educação e Canal Saúde.

No momento, o Canal GOV não está exibindo programação, mostrando apenas uma imagem estática de um desenho animado.

Transmissão do Canal GOV apresenta falha, com imagem estática.

As imagens são transmitidas em diferentes resoluções: HD (1080p) na TV Brasil e SD nos demais canais do mux.

Já a TV Globo opera de forma definitiva na chamada faixa de 300 MHz, utilizando a frequência central de 277 MHz e 21 kW de potência por polarização. O sinal é emitido da Alameda Santos, com resolução 4K HDR e alguns recursos de interatividade já disponíveis.

A emissora exibe conteúdo em 4K nativo em atrações como partidas da Copa do Mundo e algumas novelas. Os demais programas passam por processo de upscaling, com resultados considerados satisfatórios. A expectativa é de que a quantidade de conteúdos produzidos em 4K nativo aumente gradualmente.

Conversores apresentam bug na sintonia de alguns canais da TV 2.5

Além de receber os sinais da DTV+, os conversores também permitem a sintonia das emissoras que continuam transmitindo exclusivamente pelo sistema atual de TV digital (ISDB-T), conhecido informalmente como TV 2.5.

Neste primeiro momento, porém, o menu de aplicativos dos conversores reúne as operações das duas tecnologias, fazendo com que a TV Globo, Rede Legislativa e TV Brasil apareçam em duplicidade no menu — embora os ícones dos canais DTV+ apareçam com identificação destacada.

Menu de aplicativos da plataforma DTV+ atualmente
 mostra as operações das tecnologias das TVs 2.5 e 3.0
.

A expectativa é de que futuras atualizações removam automaticamente os aplicativos da TV 2.5 sempre que a emissora já possuir um serviço equivalente em DTV+.

Nos primeiros dias após o lançamento comercial da TV 3.0, em 11/06/2026, foi identificado um bug (falha de funcionamento) nos conversores das marcas Aquário e VivensisO problema impede a sintonia dos canais RBI, Record News e Canção Nova.

Até o momento, não foram observados problemas semelhantes no equipamento fabricado pela Intelbras. A Century e a Proeletronic também iniciaram a comercialização de conversores, mas ainda não há informações se os mesmos problemas ocorrem nesses equipamentos.

A falha é causada por uma incompatibilidade entre a forma como essas emissoras transmitem determinadas informações para o middleware presente nos conversores afetados. A expectativa é de que o problema seja solucionado por meio de atualizações de software dos receptores ou de ajustes realizados pelas próprias emissoras.

Falta de logomarcas dificulta identificação dos canais

Outro problema observado nesta fase inicial da DTV+ está na ausência de logomarcas no aplicativo de alguns canais. Nos muxes da EBC e da NGT, bem como nos canais da TopTVBoa Vontade TVTV Feliz, os receptores vêm exibindo apenas a identificação textual, sem o símbolo visual da emissora. A ausência das marcas prejudica a navegação e reduz a clareza da interface, especialmente em um ambiente no qual os canais passam a ser apresentados também como aplicativos dentro do conversor.

No mux da EBC, além da remoção recente das logomarcas de seus canais, houve também o encurtamento dos nomes exibidos na interface dos receptores. A TV Brasil, por exemplo, está identificada apenas como "Brasil" e o nome do Canal Educação foi reduzido para "Educa".

Mux da EBC apresenta ausência das logomarcas e
 descaracterização dos nomes originais dos canais.

O São Paulo Broadcast apura qual órgão ou entidade é responsável pela gestão e distribuição desse banco de logomarcas utilizado pelos receptores da TV 3.0. 

Guia de programação ainda não foi ativado

O EPG (Electronic Program Guide), recurso que permite consultar a grade de programação diretamente pela interface do receptor, ainda não está disponível nos canais sintonizados em São Paulo.

A ausência do guia ocorre tanto nas transmissões pelo sistema atual de TV digital (ISDB-T/TV 2.5) quanto nos sinais da DTV+. Com isso, o telespectador ainda não consegue visualizar informações como nome do programa, horário de exibição, sinopses e programação seguinte diretamente pelo conversor.

Por enquanto, esse tipo de informação está acessível apenas na interface interativa da TV Globo, que utiliza recursos mais avançados da TV 3.0.

A expectativa é de que as tabelas de programação do EPG sejam liberadas em futuras atualizações de firmware dos conversores.

Sem imagem

O mux da Rede Mais Família precisa de ajustes para que possa ser acessado nos conversores da Aquário.

Os canais Rede Mais Família e Boas Novas estão sem programação na TV 2.5. Além disso, neste mesmo multiplex, aparece indevidamente o ícone da Jovem Pan News, que também não exibe imagem.

Mesmo que o ícone da Jovem Pan News apareça corretamente em outro ponto da interface (fora do mux da Rede Mais Família), trata-se de uma falha que gera duplicidade na identificação da emissora.

Ícone da Jovem Pan News inserido incorretamente
 dentro do mux da Rede Mais Família.

Por fim, outro canal digital da TV 2.5 que está sem imagem é a RTN. Já o outro canal do mux, a TV Maanaim, funciona corretamente.

Novas operações

Além das transmissões já em operação, novos movimentos devem ampliar a presença da TV 3.0 em São Paulo.

A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, solicitou uma operação experimental, que será realizada no canal 9 VHF, na frequência central de 189 MHz e potência de 2 kW em cada polarização.

Já a EBC solicitou autorização para operar futuramente seu sinal definitivo, a ser transmitido em 253 MHz, com potência de transmissão de 15 kW a partir da torre da TV Gazeta, na Avenida Paulista. Com isso, a emissora deixará a atual operação em VHF para ocupar a faixa de 300 MHz destinada à implantação da nova geração da televisão digital.

Outro avanço aguardado é o início das transmissões experimentais da CNT em 271 MHz. A frequência é adjacente ao canal utilizado pela TV Globo, em 277 MHz, e permitirá avaliar o comportamento dos sinais da DTV+ em canais vizinhos, condição importante para verificar a convivência entre emissoras em um ambiente urbano complexo como São Paulo.

Com três operações já em funcionamento e novas operações em implantação, São Paulo consolida-se como o principal laboratório brasileiro da TV 3.0, reunindo transmissões comerciais em 4K HDR, multiplex públicos em HD e SD, novas autorizações experimentais e testes de convivência entre canais na faixa destinada à DTV+.

Panorama Atual da DTV+ em São Paulo


Futuras Operações da DTV+ em São Paulo

O que é um multiplex (mux)?

Tanto na TV 2.5 quanto na TV 3.0, um único canal de radiofrequência pode transportar simultaneamente diversos serviços de televisão. Esse conjunto de sinais é chamado de multiplex, ou simplesmente "mux". Em São Paulo, por exemplo, o mux da Rede Legislativa reúne quatro emissoras públicas em uma única transmissão de 6 MHz de banda.

Por Maurício Viel, jornalista, escritor e historiador do rádio e da TV. [saopaulobroadcast@gmail.com]

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