Jovem Pan está em processo de aquisição de canais de TV
O Grupo Jovem Pan prepara uma nova etapa para consolidar sua presença na televisão aberta. Segundo informações publicadas pelo colunista Flávio Ricco, a empresa está adquirindo algumas emissoras pertencentes a Rinaldi Faria, proprietário da Rede Mais Família.
Ricco afirmou que a compra envolve metade das emissoras de Rinaldi, com o objetivo de formar uma rede nacional da Jovem Pan. Nos bastidores, entretanto, comenta-se que a operação comercial pode envolver apenas as três emissoras de Rinaldi que a Jovem Pan arrenda desde janeiro de 2026: o canal 32.1 de São Luís (MA), emissora geradora da Jovem Pan News na TV aberta; o canal 51.1 de São Paulo; e o canal 36.1 de Campinas (SP).
Atualmente, a Rede Mais Família conta com cerca de 14 emissoras em operação. Além disso, possui mais de 20 concessões ainda não implantadas, que também podem estar incluídas nas negociações com a Jovem Pan. Essas outorgas estão concentradas principalmente no estado de São Paulo, mas também abrangem cidades do Ceará, Pará, Tocantins, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Sul.
As negociações contam com a participação direta de Rinaldi Faria e dos diretores do Grupo Jovem Pan, Marcelo Carvalho e Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha.
As tratativas vinham ocorrendo há vários meses e passaram por diferentes modelos societários antes de convergirem para a aquisição das emissoras. Ainda segundo Flávio Ricco, Rinaldi deverá permanecer ligado às emissoras adquiridas durante um período de transição, participando ativamente dos resultados. A parceria entre os dois grupos já havia sido desenhada anteriormente, mas agora teria evoluído para uma associação empresarial de caráter definitivo.
Projeto vai além do jornalismo
A Jovem Pan prepara uma profunda reformulação da grade de seu canal de televisão aberta, que passará a contar com um sinal exclusivo, desvinculado da programação da Jovem Pan News atualmente transmitida na TV aberta, no rádio, na TV por assinatura e na internet.
Embora o jornalismo continue sendo um dos pilares da nova emissora, o projeto prevê investimentos em uma programação mais diversificada, com atrações de entretenimento, dramaturgia, reality shows e outros formatos de variedades.
A estratégia é transformar a operação em uma rede aberta de alcance nacional, capaz de disputar audiência diretamente com as principais emissoras comerciais do país. O movimento representa uma mudança clara de posicionamento em relação à atual Jovem Pan News, cuja programação é concentrada quase integralmente em notícias, debates políticos e programas de opinião.
Canal 51.1 terá nova estrutura de transmissão em São Paulo
Paralelamente à estratégia de expansão nacional, o Grupo Jovem Pan prepara uma mudança técnica importante na capital paulista. Com a aquisição do canal 51.1, a emissora deixará de utilizar a estrutura de transmissão instalada na torre da TV Gazeta, na Avenida Paulista, e será transferida para a torre própria da Jovem Pan, localizada a poucos metros de distância.
A partir dessa estrutura já operam as rádios Jovem Pan FM 100,9 MHz e Classic Pan FM 76,7 MHz.
Com a centralização da infraestrutura, a Jovem Pan projeta reduzir custos operacionais e ampliar o controle sobre o sinal da emissora.
A mudança de local de transmissão é acompanhada por uma solicitação de aumento de potência, encaminhada ao Ministério das Comunicações. Atualmente, o canal 51.1 de São Paulo opera potência irradiada efetiva de 23 kW. A nova proposta prevê a elevação para 47 kW, mais que o dobro da potência atual.
Caso seja aprovado, o aumento poderá proporcionar maior estabilidade de sinal na Grande São Paulo e reduzir as chamadas áreas de sombra.
O pedido técnico de alteração do local de transmissão está em fase de avaliação pelo Ministério das Comunicações e deverá ser submetido a consulta pública em breve.
O histórico do canal 51.1
A concessão do canal físico 51 UHF de São Paulo pertenceu originalmente à Fundação Boas Novas, que manteve no ar, durante vários anos, a Rede Boas Novas, emissora de perfil religioso com sede em Manaus (AM).
Em 2025, a emissora foi negociada com o empresário Rinaldi Faria. Por meio de uma permuta, a programação da Boas Novas passou a ser transmitida como multiprogramação da Rede Mais Família em São Paulo, pelo canal 36.2, e em diversas outras localidades.
Esse arranjo abriu caminho para que Rinaldi negociasse o arrendamento do canal 51.1 para a Jovem Pan, operação concretizada em 17 de janeiro de 2026.
Agora, Rinaldi está vendendo o canal para o Grupo Jovem Pan, juntamente com a emissora geradora localizada no Maranhão e também a retransmissora de Campinas.
O blog São Paulo Broadcast está acompanhando as movimentações e trará novidades em breve.
Canais de notícias da TV paga miram a TV aberta
A expansão da Jovem Pan na TV aberta coincide com um movimento mais amplo de mercado. A CNN Brasil também prepara sua entrada na TV aberta por meio de parcerias com emissoras locais.
A estreia poderá ocorrer entre o segundo semestre de 2026 e os primeiros meses de 2027, com ampliação gradual da cobertura até meados daquele ano.
Enquanto a Jovem Pan busca um modelo híbrido, combinando jornalismo, entretenimento e variedades, a CNN Brasil pretende manter o jornalismo como eixo central de sua programação aberta, com potencial para alcançar entre 80 milhões e 100 milhões de pessoas.
Caso sejam consolidados, os dois projetos deverão acirrar a disputa não apenas com a Record News, mas também com os departamentos de jornalismo das principais redes de televisão do país.
A consolidação do retorno à TV aberta paulistana
A aquisição de emissoras consolida o retorno do Grupo Jovem Pan à televisão aberta de São Paulo, iniciado em janeiro de 2026, cerca de três décadas após a experiência da antiga TV Jovem Pan no canal 16 UHF.
Inspirada inicialmente no modelo da CNN americana, a antiga TV Jovem Pan começou a realizar transmissões experimentais em janeiro de 1991 e foi lançada oficialmente em setembro daquele ano.
Sua programação reunia jornalismo, documentários, entretenimento e ampla cobertura esportiva. O projeto enfrentou conflitos societários, dificuldades financeiras e investigações relacionadas à formação da empresa, até ser encerrado em 1995.
Por Maurício Viel, jornalista, escritor e historiador do rádio e da TV. [saopaulobroadcast@gmail.com]

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